Ao longo de um século, São Paulo foi construída em um processo de “negação” dos cerca de 300 rios e córregos que faziam parte da paisagem. As águas foram cobertas por avenidas e a vegetação deu espaço aos prédios.
Nove de Julho, Sumaré, Pacaembu, Pompeia, Prestes Maia e outras dezenas. Além disso, os rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros tiveram seus cursos retificados. Ao lado dos leitos, estão as marginais e também a avenida do Estado.
Cobrir um rio com uma avenida não se mostrou uma solução inteligente ao longo dos anos. Desde a década de 50, a região do Anhangabaú sofre com alagamentos. O mesmo acontece na avenida Nove de Julho e em outros pontos em toda a cidade.
Em São Paulo, pouco se pensou até hoje sobre como evitar que a água da chuva caia nesses córregos canalizados. Todas as bocas de lobo desaguam neles, em uma velocidade rápida, deixando-os saturados. Exemplo disso é o que acontece após um temporal no cruzamento das avenidas Pompeia e Francisco Matarazzo.
Um exemplo clássico de como São Paulo cresceu desordenadamente é o Jardim Pantanal, bairro na zona leste construído na várzea do Tietê, assim como outros. Moradores da região sofrem constantemente com as inundações. Isso porque, historicamente, aquele era o lugar tomado pelas águas do rio em épocas de cheia. Deveria ter vegetação e não casas.
O grande erro foi tentar domar os rios, foi ter negociado errado com a natureza. A enchente sempre existiu. Quanto mais se canalizou os rios, mais o problema piorou.
(Reportagem R7.com)
Grandes cidades construidas ao lado ou em cima de leitos de rios.
Vamos orar pra Deus dá força ao seu povo, e esperamos que os prefeitos cancelem os carnavais e direcionem todo o dinheiro pra reconstruir o que foi destruido pela força dessas águas.