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Querido IVAN DILSON ou SETE, como você era
conhecido, fiquei realmente muito triste, ao receber
a notícia de seu falecimento agora, através de
Verinha, sua grande paixão! Que amor belíssimo,
vocês dois compartilharam!
Descanse em paz, meu querido amigo-irmão!
Posto para você, o "IN MEMORIAN" que escrevi
para meu cunhado Gabriel Henrique, que nos
deixou tão antes da hora, como você!
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IN MEMORIAN
Ao soar as horas noturnas,
Assusto-me com o som do carrilhão.
No pêndulo impertubável,
vejo minha existência esvair-se
num ritmo constante, monótono.
Escoam-se os segundos, os minutos...
Mais uma madrugada que se anuncia insone.
A lua testemunha o silêncio das cigarras
enquanto lembranças ressurgem
ao som do melancólico blues.
As estrelas sorriem piscando para mim,
talvez para afugentar esta tristeza infinda.
Das árvores, as folhas caíram.
Em revoada, os pássaros partiram.
- Não mais verei teu lindo sorriso!
®Verluci Almeida
Direitos Autorais protegidos
pela Lei nº 9.610 de 19/02/98.
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ORAÇÃO DE SANTO AGOSTINHO
A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Porque eu estaria fora de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista ?
Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e se me amas,
não chores mais.
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A morte é uma continuação, para além das
sombras, estende-se o brilho da eternidade.
A morte é uma mudança de vestimenta,
pois a alma que estava vestida de sombra,
vai ser vestida de luz.
(Victor Hugo)
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DESPEDIDA
E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir;
foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais
triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação
como às vezes acontece em um baile de carnaval
— uma pessoa se perde da outra, procura-a por um
instante e depois adere a qualquer cordão.
É melhor para os amantes pensar que a última vez
que se encontraram se amaram muito — depois apenas
aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se
despediram, a vida é que os despediu, cada um para
seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza,
e também uma lembrança boa; que não será proibido
confessar que às vezes se tem saudades; nem será
odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos
traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego;
e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram,
mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida;
que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão;
mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa
que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha
no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros
verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes
como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos.
O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores,
não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro
como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. Ah,
talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema
que não pôde haver; entretanto, é possível que não
adiantasse nada. Para que explicações?
Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes;
o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos
apenas as coisas douradas e digamos apenas a
pequena palavra: adeus. A pequena palavra que
se alonga como um canto de cigarra perdido
numa tarde de domingo.
( Rubem Braga )
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TOCANDO EM FRENTE
Renato Teixeira
"Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir..."
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