‘’DENSA SOLIDÃO’’
Nunca vejo aquela linda mulher acompanhada. Sei que ela tem
casa e família. Mas também uma solidão colada no corpo e na
alma. E essa solidão é nítida em seus maravilhosos olhos
– piscina de água clara que inundam a paisagem de azul.
O sorriso, tímido, de sol de pondo. Quem vê essa mulher,
não ousa questioná-la, nem animá-la para a vida que se
tem por normal. Porque ela (a mulher) é um mistério,
para ser vista de longe, apreciada com grande respeito.
E sua solidão é sólida, densa, mas não incomoda. Só é
intrigante, e passa tédio. Ela (a mulher) chega a ser
atraente, pois é frugal, comedida, mas não mendiga
amor nem companhia. Sente-se. Essa mulher é para
ser sentida com antenas de fina sensibilidade.
Musa ideal de poetas que insistem em cantar o amor
platônico neste tempo de tecnologia de ponta que não
aponta absolutamente para o íntimo, para os abismos
do ser humano. Nem para o céu.
___ Ricardo Dos Anjos
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