Falam muito que a nossa criança interior precisa ser curada, mas vamos ser honestos. Essa criança sobreviveu, ela atravessou o que dava, do jeito que dava. Com medo, com silêncio, com estratégias tortas. Mas atravessou. Se ela não tivesse vencido, você não estaria aqui. Quem está exausta agora não é a criança, é a adulta. A adulta que aprendeu a ser forte demais, que aprendeu a funcionar mesmo quebrada. Que virou responsável cedo, lúcida cedo, dura cedo. A adulta que nunca foi ensinada a descansar, a pedir, a falhar sem se punir. A criança, ela fez o que pôde e fez bem. Quem precisa, o que precisa de cuidado agora é quem ficou encarregada de continuar vivendo depois da sobrevivência.
Então faço de compromisso comigo mesma, estar nos lugares que recebem bem o meu coração, trato como religião estar aonde me sinto bem recebida. Ter conversas com pessoas decentes. Trazer pra minha casa: Corpos, ideias e presenças que eu admire, e que também lancem sob mim os seus olhos admirados. E não saber o tempo que a vida tem, só carregando a certeza que o tempo está passando, me faz pensar, pensar que nunca é a hora de adiar ou de se deixar atropelar os próprios planos. Eu quero que saia da minha boca o que eu penso, o que faz a lÃngua latejar, eu quero o gosto do que eu acho gostoso, tirar do papel os meus sonhos. Eu quero chamar de meu caminho, aquele que eu decida caminhar.
— .(Escrito dia 03/01/2026, às 20:51).


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