Esses dias eu me peguei pensando: Quando foi que eu fiquei assim, mais quieta por dentro, mais atenta, mais seletiva com o que eu deixo entrar? Porque não foi um grande acontecimento que mudou tudo, ninguém quebrou algo de forma explÃcita, ninguém anunciou despedidas, foi a soma de pequenas coisas que eu fui engolindo achando que era maturidade quando na verdade era só eu mesmo diminuindo pra caber. Antes eu explicava demais, sentava, conversava, justificava sentimentos como se eles precisassem de validação externa pra existir, hoje não. Hoje eu entendo que quem quer entender entende até o silêncio e quem não quer nunca entenderia nem com um texto enorme. A vida continua acontecendo do lado de fora, como sempre aconteceu. As responsabilidades não diminuem, os dias seguem corridos, as mensagens continuam chegando, mas por dentro, por dentro existe uma versão minha que cansou de se provar forte o tempo todo. Eu comecei a perceber o quanto eu me adaptava a espaços que não me acolhiam de verdade, o quanto eu normalizava ausências, respostas rasas, afetos pela metade, e o mais curioso é que não foi a dor que me fez sair desses lugares, foi a clareza. Hoje eu entendo que nem toda despedida precisa ser dita em voz alta, algumas acontecem quando a gente para de insistir, quando a gente para de justificar o injustificável, quando escolhe ficar em paz, mesmo que isso custe algumas ausências. Talvez crescer, seja exatamente isso, não endurecer, mas aprender a se preservar, não fechar o coração, mas decidir com mais cuidado quem pode entrar. E se você também estiver nesse momento, meio silencioso, meio confuso, onde nada parece errado, mas tudo parece diferente, confia. Às vezes a vida só está te levando pra um lugar onde você finalmente, cabe inteira.
— .(Escrito dia 08/01/2026, às 21:10).


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